Cansada de quê, exatamente?
- Elaine Zanol
- 9 de jun.
- 2 min de leitura
Outro dia eu cheguei no fim do dia tão exausta que escolher o que jantar me pareceu uma tarefa complexa demais. Fiquei olhando pra geladeira e pensando: Carne? Legumes? Hoje? Impossível.

O detalhe é que não tinha acontecido nada extraordinário. Foi apenas um dia normal de trabalho. E mesmo assim eu estava no nível de cansaço de quem correu uma maratona.
Aí eu comecei a pensar de onde vem esse cansaço que não bate com a agenda e spoiler: não é da agenda.
É de tudo que roda em segundo plano. Como aqueles 47 aplicativos abertos que você nunca fecha. A conversa de terça-feira que eu ainda estava editando mentalmente na quinta (versão nova do que eu deveria ter respondido, agora com 30% mais elegância). O celular virado pra cima na mesa, em modo de prontidão, como o mundo fosse acabar se eu não estivesse atenta. As cinco pendências minúsculas que eu adio há três semanas e que me cobram aluguel mental todos os dias.
Nada disso aparece no calendário, mas cobra caro. E o mais engraçado é a solução que a internet oferece pra esse cansaço: adicionar coisas. Rotina matinal de duas horas. Mais um app. Mais um método com sigla. Otimizar o descanso, que é tipo a ideia mais contraditória já inventada.
Relaxar virou mais uma coisa pra fazer direito, com meta e desempenho. Não, obrigada. Eu prefiro a pergunta contrária: o que dá pra tirar?
Porque quase tudo que pesa de verdade não é coisa que falta. É coisa que sobra. Esse blog (e esse club) nasce daí. Não é pra virar monge nem acordar às 4h30 pra meditar olhando o nascer do sol, é pra viver com menos ruído e mais coisa boa de verdade: tempo livre que é livre mesmo, hobby sem meta, livro lido por prazer, encontro que não é networking.
Devagar não porque é bonito falar slow living, mas porque correr o tempo todo não estava funcionando pra ninguém.
Começa aqui, em texto. Mas a ideia é que não fique só aqui.
Por enquanto, fica o convite: repara essa semana no que está rodando em segundo plano na sua vida. Não precisa resolver nada. Só repara. O resto a gente vai conversando.



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